02 agosto 2016

Persépolis: Império Persa, ascensão e queda.

 
 
 
   Ir a Shiraz e não visitar Persépolis (vídeo que explica em 3D) é como ir a Roma e não ver o Papa. Foi o que fizemos.

 
   Saímos cedo, eram 8 horas da manhã. Estávamos felizes por ter o privilégio de contemplar esta maravilha do império Persa.
   Apanhámos táxi partilhado desde Shiraz e demorámos cerca de 1 hora para percorrer os 60km.
  
   Além de Persépolis  tínhamos também interesse em visitar Naqh-e Rostam que são nada mais que uns impressionantes túmulos incrustados num grande rochedo, supostamente são de Reis do grande império Persa.
  
   A entrada para o recinto de Persépolis já não é o preço que vem descrito no Lonely Planet guide que seriam uns míseros, mas agradáveis 0,50€. Pois bem, a entrada custou-nos 150.000 Rials pessoa, ou seja, perto de 5 euros cada um. Barato na mesma na nossa opinião, para o que representa.
    

 


   Apesar do guia estar desactualizado no preço dos bilhetes, foi-nos importante para uma pequena nota.
   Antes de entrar no recinto propriamente dito, do lado direito foi onde foi realizado um dos últimos eventos pelo regime anterior, no tempo dos Xás ainda. E que evento foi ? Nada mais que a comemoração dos 2500 anos  da fundação do Império Persa.
   
   Ainda hoje esta festa organizada pelo Xá Reza Pahlevi é considerada uma das mais extravagantes, grandiosas e caras da história. Deixamos aqui um excerto de uma notícia do Jornal Público:

 "... A celebração dos 2500 anos da monarquia persa foi a manifestação mais opulenta do reinado de Reza Pahlevi, com um orçamento que terá ultrapassado os 100 milhões de dólares: durante o banquete, personalidades como o imperador etíope Hailé Selassié, o ditador romeno Nicolae Ceausescu e a princesa Ana de Inglaterra, entre muitos outros reis, sultões e estadistas, consumiram 25 mil garrafas de vinho e cinco mil garrafas de champanhe. Ao todo, participaram no banquete 600 convidados, incluindo 50 chefes de Estado e suas comitivas. O catering foi assegurado pelo Maxim"s, de Paris, que enviou para o Irão 165 cozinheiros e escanções. Todos os produtos foram importados - durante um ano, estabeleceu-se uma ponte aérea para assegurar a entrega das matérias-primas -, excepto a prata da casa, o caviar.
   A tenda principal do complexo, que em 1971 funcionou como hall de recepção, vai agora albergar um memorial do banquete. Futuramente, o complexo irá acolher exposições permanentes sobre a dinastia aqueménida, o período mais fluorescente do império persa, que chegou nessa fase a estender-se da Índia ao Danúbio. As tendas que acomodaram os convidados vão ser transformadas em restaurantes e hotéis..."
 

Por: Inês Nadais in Jornal Público de 27/9/2005


Curioso verificar que às portas do maior monumento do grande Império Persa haja também os vestígios da sua decadência. Com o povo a viver na miséria e fazer estas festas... está-se mesmo a ver o que iria suceder a seguir, pois claro, a grande revolução que iria colocar o actual regime no poder.

 Veja abaixo o que sobrou do grande festim com que se "lambuzaram" os chefes de estado de todo o planeta no ano de 1971. As suas tendas estavam com tudo equipado, inclusive ar condicionado e casas de banho com loiças da melhor porcelana do mundo !
   Mais curiosidades veja aqui.



Estruturas das famosas tendas







    Foi interessante fechar os olhos e imaginar tudo isto, mas não foi por isto que viemos até aqui.
   Seguimos então em direcção a Persépolis. São cerca de 500m que separam o recinto das tendas do Xá, até à entrada do que foi o majestoso palácio do Império Aqueménida.
  Avistamo-lo ao fundo. Estamos radiantes !!





  Persépolis foi fundada por Darius I em 518 a.c e foi a capital do Império Aqueménida. Foi ideia deste rei edificar um palácio inspirado nos modelos da Mesopotâmia.
  A qualidade das ruínas e a importância deste local fazem-no figurar na lista UNESCO heritage desde 1979.
  Gostaríamos de o honrar com melhores fotos, mas a hora de visita não era a mais adequada, ainda hoje só nos arrependemos nesta viagem ao Irão de uma coisa: Não visitar Persépolis ao final da tarde, teria sido muito melhor.




Muitos turistas iranianos




  
    Adorámos andar por ali a "vaguear" no meio das ruínas apesar do calor.
O percurso é delimitado, e existe um sentido, no entanto podemos alterá-lo, e andar por ali à vontade.
Também é possível contratar guias em várias línguas junto à bilheteira, mas optámos por não fazê-lo. 
  
 
Símbolo da religião Zoroastra
  
 
 
 
 
 
O pessoal vai todo em direcção ao rei para oferendas !

 
Siga, mais dois carneiros para o Rei !
 
 
 
 
 
 
 


   Persépolis resistiu cerca de 200 anos sendo destruída por Alexandre O grande em 331a.c, que a incendiou supostamente por vingança a Xerxes por este ter mandado incendiar Atenas ou, quiçá  por acidente numa simples bebedeira de Alexandre e dos seus generais.


   Acaba também por ser um desafio, imaginar como seria o palácio e a sua vida interior. Para nós, este local passou a ser uma das maravilhas do mundo mesmo estando em ruínas.
  

A cerca de 7km a pé ou 10km de carro situa-se Naqh-e Rostam.
  Apanhe um táxi à saída de Persépolis, com sorte poderá partilhá-lo em direcção ao Naqh-e Rostam e dividir os custos, que em todo o caso não deverão ultrapassar 3 Euros pelos 10km.
Á chegada irá logo ver as bilheteiras onde lhe serão pedidos mais 150.000 Rial, quase 5 Euros. Para nós valeu bem o preço.
  
  Adorámos Persépolis. Mas confessamos aqui, que este local nos terá impressionado um pouco mais. Seja talvez pela grandiosidade da pedra ou, por imaginar o quão custoso deve ter sido executar esta obra, furando literalmente a montanha dura e sem dinamite !!
   Os nossos olhos arregalaram-se, sem dúvida.

   Naqh-e Rostam não é mais que o sítio onde os aqueménidas construíram túmulos para os reis: Darius I e II, Artaxerxes e Xerxes, garantidamente amámos Naqh-e Rostam.
   Muito obrigado aos senhores aqueménidas por este feito.
 




 
 
 
 
 
 
 
 
   Era suposto demorar menos aqui, mas foi maravilhoso estar sentado num morrozinho a apreciar esta beleza, sinceramente, pareceu-nos algo saído de outro mundo o que foi aqui construído. 
 
 
   Não queríamos ir embora, mas teve de ser, e lá fomos de volta até Shiraz onde passaríamos a última noite antes de partir para Yazd.
  
   Deixamos abaixo mais fotos de Shiraz, essa bela localidade...

 

Voltámos cheios de fome, por isso Sandes de Falaffel é o jantar !! 2 Euros, as duas !
 
PS: Falaffel no Irão são uma espécie de Almôndegas fritas de grão com especiarias, que por norma são servidas num pão comprido e em que se adiciona tomate, salsa, cebola ou outros ingredientes.
São boas em todo o lado !! Estas, talvez devido à grande fome que tínhamos foram as que nos souberam ainda melhor !
 
 
 
 
Demos ainda uma voltinha pelo centro como que a despedir-nos desta cidade e
ainda testemunhámos e documentámos a loucura que os iranianos têm pelos...gelados.
 
 
 
Ainda sobra para nós ??
 


Nossa Shiraz , até à próxima...
 
 
Shiraz também tem Bazar sim...mas decidimos mostrar-vos outra perspetiva.
 
 

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